terça-feira, 31 de julho de 2007

Mulheres II



Há tanto tempo eu não escrevo, e quando isso ocorre é para denunciar tristezas. Olhando bem para mim e para tudo ao meu redor, o que conquistei, minhas metas, meus bens de consumo e toda a minha parafernália, percebo o quanto sou infeliz, miserável.


É claro que não perdi meu estilo emocional de escrever, assim como Rubem Braga, e a parte engraçada de tudo isso, é o fato de escrever isso cagando. Essencial deixar claro que há muito e muito tempo não tenho prazer ou necessidade de escrever e muito ao menos de deixarem públicas as minhas lágrimas.


Não estou vitimizando um fato e nem sendo machista, mas, com base em todas as coisas ruins e más que fui capaz de fazer, mulheres não prestam. A única pessoa que uma mulher ama, dá carinho e carícias, ela engana, machuca, mente e é covarde, mulheres, enfim, se um dia obtiveram caráter, não o mais têm. Digo isto com base em mim mesma, eu que errei por não ter proporcionado à pessoa que tanto amo a minha primeira vez.


Sei que tenho problemas com vírgulas antes de e e que só procuro ser menos subjetiva por ser tanto. Nunca me perdoarei por ter sido tão fraca com alguém que tanto amo. Ele me xinga das palavras que nem mesmo uma verdadeira puta ouviu em sua longa estrada, também sei que ela nunca foi tão elogiada como eu fui.


Nunca quis parecer superior a ele e muito ao menos tentar criticá-lo de alguma maneira. Sabia e sempre soube que nunca fui perfeita para ele e que também não era confiável. Minha insegurança e fragilidade exacerbada me fizeram essa pessoa sem moral ou caráter como qualquer outra mulher. Não possuo temperamento para dizer mais uma palavra que não seja negativa.


Sempre sonhadora demais, esse é o mal das mulheres, em especial as cancerianas. Ovídio em suas obras vê a mulher inferior ao homem (e por que eu havia de pensar diferente?) e diz também que elas devem agradá-los com submissão e amor.


Algumas feministas podem até mesmo dizer que o que escrevo é antiquado, mas não discordarei de Ovídio e direi que é porque elas nunca amaram intensamente. Eu me rendi ao meu amor perdidamente; chorei oceanos, sorri arco-íris, gozei como se estivesse comprando sapatos todos os dias.


Imaginei até mesmo casar de véu e grinalda, jogar o "bouquet", como qualquer outra mulher; pensei em ter filhos e dá-l o nome do pai para ser igualzinho a ele. Bonito, inteligente e perfeito igual. Minha emoção só me crucificou e por causa dela, por culpa dela, pagarei por isso por toda a minha vida.


Neste quase um ano em que permanecemos juntos, diversas coisas aconteceram, boas ou ruins; perdi meu avô - um pai, criou-me, educou-me, buscava-me na escola e me contava piadas -, não chorei em seu velório e muito ao menos no enterro; perdi minha cachorra Xuxa - que conviveu comigo toda a minha infância e adolescência; perdi meu gato Mumis - e talvez tenha perdido hoje o homem que quero casar.


Ah, se eu pudesse voltar no tempo e consertar tudo o que fiz e o que eu gostaria de ter feito, como vi num filme ontem à noite... Sou pobre de espírito, de vida, o que me adianta ter dinheiro?




Não sou uma fortaleza ou algo do gênero. Eu sou uma putinha, mas sou aquela que ama de tal maneira que não existe mais hoje. Amo integralmente.


Se choro ou escrevo agora é por fraqueza, porque ele tem nojo de mim, odeia-me e não quer nunca mais me ver. Dói tanto, pois podia ter sido tão bonito se eu não fosse tão mulher. Apesar de dizerem que humanos erram, as mulheres, de modo geral, são as que mais pecam.


Infelizmente, eu perdi.





















SovielArisk... 31/07/07